É sempre bom ouvir o Bruce Sterling. É dark, é irônico, é soturno, é necessário. Basicamente, o mundo tá queimando aí fora, as pessoas se matando, a calota derretendo, e a gente tá aqui fazendo networking e pensando em “monetizar”. E daqui a alguns anos a gente vai ter que ajudar a garotada a consertar o que a gente estragou. O que a gente ajudou a estragar, o que a gente observou estragar, de braços cruzados, while we were busy networking in technology conferences. E a gente vai achar um saco, vai se irritar, porque seremos uns velhos, mas vamos ajudar. Porque “it’s arrogant to give up. It’s arrogant to despair. We have come so far, we can do anything. If at least we were able to open source food and shelter, we could do anything on the internet”.
Yeah. Por isso que eu digo: “isso não é importante”. Isso = o que você faz o dia inteiro no seu trabalho na sua agencia digital. São só sites. Não (se) leve tão a sério.
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Mantendo todos os issos em perspectiva, o SXSW Interactive foi mais uma vez muito generoso para com a minha pessoa. Esse ano eu me atrapalhei, escolhi mal as palestras, fiquei dividida entre o que eu queria ver e o que seria bom para a matéria que eu estava fazendo. Errei muito, não consegui me concentrar de verdade, fiquei ansiosa correndo de uma sala para a outra. Mesmo assim, foi muito bom. Mesmo quando não caem fichas imediatamente, tenha certeza que seeds foram plantadas dentro de ti. I have good friends in Texas. Alguns não moram aqui, mas a gente se encontra no SXSW. Caso do Simon, que ficou também amigo do Mumu. Como eu estava falando com o Simon, as conseqüências do SXSW nem sempre são imediatas. A gente volta pra casa, contextualiza, pensa, rola uma química interna entre nosso universo imediato e o que ouvimos – e o resultado nos alimenta por meses.
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Sou inquieta, áspera e reclamona. Sou, na maioria das vezes, meio tristinha. Eu sou assim, apesar de também ser feliz (assim). Eu gosto de mim assim, apesar de me sentir quase sempre inadequada, mal-acabada (piada interna), insegura. Eu sou uma pessoa confusa e estou sempre questionando a mim mesma, o mundo em que eu vivo, o meu trabalho, minhas motivações, as coisas que faço, onde gasto meu tempo, onde gasto meu dinheiro, os processos, as pessoas com quem ando. Eu gosto assim, acho que isso é necessário. Não sou de ter certezas absolutas e nem de vestir camisetas de coisa nenhuma - ainda mais nessa vizinhança em que convivem os muito ricos e os muito pobres que é o mundo em que vivemos atualmente. Questionar é preciso.
Não gosto de mostrar minhas partes ásperas, inacabadas (como uma construção que ainda não foi terminada, parede sem reboco, fiação pra fora) – mas elas saltam de mim. Eu tenho que não apenas aceitar, mas também não reprimir, e até encorajar. Porque assim sou eu, essa sou eu, e as pessoas são pacotes, né? E principalmente com o mundo lá fora nos reprimindo tanto. Então, aqui, essa sou eu, reclamenta, áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha, como sabem os que me interessam. Não te interessa, unfollowtuesday-me. Fico possessa quando neguinho só quer saber de mim editada.
Pronto, desabafei. Azar que é no blog profissional. (Outra divisão artificial que não me interessa conservar).
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