digital life

Agora que o Google dominou o mundo, ainda precisamos de menus hierárquicos?

Esses dias a questão pulou da boca de um entrevistado: "Depois que surgiu o Google, a gente se acostumou a simplesmente digitar uma palavra, apertar ok e encontrar tudo sobre o assunto". 

Em outras palavras, esse usuário prioriza a busca em detrimento da navegação. Não tenho dados sobre quantas pessoas preferem buscar ao invés de navegar. Mas, baseado no que vejo em testes de usabilidade, entrevistas e observação contextual - além da vida diária nesse lugar chamado internet -, acredito que as pessoas estão cada vez buscando mais. Afinal, como bem apontou o entrevistado, a gente se acostumou com o Google.

Então, por que nós arquitetos de informação damos tanta importância à estruturação de menus hierárquicos? Não conseguimos começar nada antes de fazer um sitemap. Esquecemos que mesmo a home page às vezes nem é vista pelos usuários que chegam direto a alguma página interna a partir de uma lista de resultados de busca.

Menus hierárquicos e taxonomias são importantes, é claro, e não me parece que vão deixar de ser. A informação precisa "morar" em algum lugar. Além disso, certos usuários não sabem o que querem, e não saberão que palavra digitar numa interface de busca. Não saberão como achar um conteúdo a não ser que este conteúdo lhes seja oferecido. Os conteúdos precisam ser apresentados em uma vitrine - na home page e/ou num menu hierárquico.

Mas as coisas importantes também têm uma estrutura hierárquica. Então, vamos primeiro às mais importantes - que talvez seja estruturar a informação/conteúdo pensando em formas de acesso nem sempre lineares e organizadas - e sim diferenciadas, caóticas, bagunçadas. Como a vida.

No Summit de 2008, na pré-conferência"Information Architecture 3.0", Peter Morville disse que a arquitetura de informação do futuro contemplaria a habilidade criar uma camada de estrutura para o conteúdo e a classificação criados pelo usuário. Ou seja, deixar o usuário criar conteúdo e classificações ("be messy, experiment the whole data thing"), e depois organizar isso e otimizar as formas de apresentação e de busca ("help people refine what they are doing").

Se o trabalho do AI será fortemente centrado em classificar e indexar o conteúdo de maneira robusta e não necessariamente hierárquica, mas olhando as relações entre os conteúdos, as palavras-chave e os objetos, realmente o que fazemos está mudando. Já não é mais desenhar caixinhas em wireframes - e talvez daqui a pouco também não seja colocar conteúdos dentro de (outras) caixinhas e etiquetá-las.

Nós somos os caras que planejam os ambientes em que as pessoas vão se relacionar e mudar sua cultura. Pense nisso.

 

Aniversário do blog

Este blog foi criado no ano passado, para que eu pudesse escrever sobre minha primeira participação em um evento internacional (IA Summit de Miami). O primeiro post foi no dia 27 de março de 2008. Typewriter fez um ano bem comemorado, com o segundo IA Summit e o SXSW (espero que o primeiro de vários). Gostaria de agradecer aos leitores, colegas arquitetos de informação que têm passado por aqui, a todos os que deixam comentários instigantes que me estimulam a continuar escrevendo, aos amigos da vida física me lêem e não entendem nada, mas mesmo assim acham fofo, aos que recomendam no Twitter, aos que linkam posts. Obrigada, gente, de coração. Foi legal e diferente ter um blog assim, depois de tantos anos de blogagem extremamente "pessoal". Que venham novos eventos, novas idéias, novos projetos, novos leitores e amigos!

 

"It's going to take another word for 'friendship', because Facebook killed it"

Baratunde Thurston é um cara realmente engraçado. Além de ser um dos editores do The Onion, é uma geek celebrity.

Será que algum dia vamos conseguir voltar a prestar atenção em apenas uma coisa de cada vez?

A massa conectada no SXSW não deixa dúvidas. Todos estão, o tempo inteiro, em meta-vivências. Sempre com traquitanas ligadas: notebooks (Apple é maioria absoluta), iphones e os mais variados aplicativos para o Twitter. Estamos ao mesmo tempo aqui, fisicamente, e projetados, através dos objetos tecnológicos, a variados "lugares" não físicos. Extensões do nosso corpo mental.

South by Southwest, primeiro dia

Considerando que em Austin o fuso horário marca duas horas a menos que no Brasil, hoje foi um dia de 26 horas. Agora são 8:30, e estou acordada desde as 5. I've had enough, botei a tampa no dia.

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Fiquei muito amiga dos taxistas. Foram 4, e todos eles muito simpáticos e falantes. Um deles me disse pra comprar um celular. Sem celular, não vou conseguir pegar táxis, ao que parece. Os americanos acabaram com os telefones públicos, é mais difícil achar um deles do que ver um ovni.

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Conheça os arquitetos brasileiros

Rogério Pereira, arquiteto de informação da TV1 em Brasília, teve a ótima idéia de fazer uma série de entrevistas com vários AIs, de diferentes cidades e experiências. Tive a honra de ser uma das convidadas da série.

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