sxsw
Versão original de um dos textos que sairam na Folha de São Paulo:
SXSW, South by Southwest - ou apenas "South by", para os frequentadores assíduos - é um festival que acontece há 24 anos em Austin, no Texas. Foi criado como um evento de música, com o objetivo de divulgar a prolífica cena local. Em 1994, os organizadores anteciparam a convergência de mídias, e conferências sobre cinema e internet passaram também a fazer parte do evento. Desde então, o SXSW Interactive tem se firmado como um dos principais eventos internacionais de tecnologia, apesar das características não convencionais, e passou a fazer parte da agenda de profissionais de várias áreas - desenvolvimento, pesquisa, programação, design, publicidade. Todos os anos, em março, a pequena, simpática e progressista capital do Texas é tomada por nerds e geeks em busca de tendências, inteligência digital, gadgets, networking e muita festa.
O que leva essas pessoas a Austin pode ser resumido pela palavra inovação. Não é à toa que o painel de encerramento é de responsabilidade de Bruce Sterling, que faz previsões sobre o futuro da mesma maneira que escreve livros de ficção científica. A conferência tem mesmo vocação para antever tendências. O SXSW é conhecido por apresentar serviços, aplicativos, plataformas e idéias que vão estourar - vide o Twitter, que começou a trajetória de sucesso ao ganhar o SXSW Web Awards em 2007, na categoria Blog. No mundo do SXSW, convivem tanto os grandes players - Google, Microsoft, AOL - quanto as pequenas start ups que estão apontando caminhos e, muitas vezes, vão a Austin com a esperança de ser o 'novo' Twitter e atrair investidores e usuários.
É buscando esse tipo de visão de futuro que as empresas mandam seus representantes. "Eu trabalho para uma grande corporação, e é importante para nós prestar atenção nas tecnologias emergentes. É aqui que a próxima grande coisa vai surgir", afirma Simon Ruparelia, gerente de projetos da divisão de marketing da Univeler de Londres. Ele participa do SXSW pela segunda vez. Em 2009, teve que brigar para convencer a empresa a enviá-lo para Austin. "Eu levei tanta informação de volta para a empresa, que esse ano eles estavam ansiosos pela minha participação", diz Simon, que costumava ir a várias conferências de tecnologia, e agora só vai ao SXSW. Simon nem gosta de chamar o SXSW de conferência, porque na opinião dele, é mais um estilo de vida. "As pessoas vêm porque querem estar aqui, e não apenas porque a empresa mandou".
O SXSW Interactive acontece no enorme centro de convenções de Austin, e ocupa também salas em dois hotéis adjacentes. As atividades são organizadas em três frentes: o Trade Show, o Screenburn Arcade e os painéis, workshops, palestras e keynotes. O Trade Show apresenta as empresas em um formato de feira tradicional, com expositores ávidos para mostrar seus produtos com demonstrações e brindes. O Screenburn reúne os aficionados por games, que podem jogar de graça e participar de uma competição de design de jogos. E os debates são agrupados em temas que tratam não apenas de aspectos mercadológicos e técnicos, mas também cobrem as sub-culturas emergentes da web, no melhor estilo cauda longa. O tema "Love and Happiness", por exemplo, seria inusitado em uma conferência de tecnologia tradicional. No SXSW, não. Afinal, é preciso abrir espaço para conversar sobre assuntos como a influência das mídias sociais na vida sexual dos usuários, a vontade de pedir demissão e começar seu próprio negócio digital, o namoro pelo Twitter, dicas para freelancers que trabalham em casa, etc.
Os palestrantes se misturam com os participantes, e as dezenas de festas, lounges patrocinados e quantidades generosas e gratuitas de Shiner, a boa cerveja local, ajudam a criar um clima de descontração que encoraja encontros, conversas com desconhecidos, circulação de idéias. No SXSW, diversão e aprendizado se misturam e combinam. "Estou impressionado com o nível do pessoal", diz Marcelo Tripoli, CEO da agência digital iThink, de São Paulo, que participa do evento pela primeira vez. "Ano passado fui a cinco eventos fora do Brasil, e o único lugar que tinha esse nível de palestrantes era Cannes. E aqui tem um clima de informalidade que Cannes não tem. Esse espírito é legal, os CEOs de empresas importantes sentam do teu lado pra comer um cachorro quente". Circulando nesse ambiente, milhares de pessoas interessadas em aprender e trocar informação, prestando muita atenção nas centenas de painéis, workshops e palestras, twittando muito, trocando cartões e fazendo contatos profissionais.
O poderoso wi-fi do evento ajuda a garantir a dimensão digital do SXSW em tempo real. O Twitter tem um papel importante, todos os painéis tinham suas hashtags anunciadas no telão e a movimentação de posts por vezes chegava a 'baleiar' o site. Tudo que é apresentado e discutido é imediatamente postado, blogado, retuitado. A audiência está sempre com seus instrumentos em punho - notebooks e smartphones. Segundo pesquisa realizada com os participantes do SXSW 2010, 66% se apavoram quando se vêem subitamente sem conexão com a internet. Para esses nerds de carteirinha, a Apple é a marca mais querida: 63% utilizam iPhone e 62% tem um Mac. E os conectados do SXSW são também um grupo orgulhoso de si mesmo: 83% afirmam que, em 2010, cool é ser identificado como geek.
- Protótipos dos guris do Google. É pra aprender código, não irritar os desenvolvedores simulando coisas que não podem ser programadas. Não gaste seu tempo fazendo wireframe de alta fidelidade, vá do sketch no papel para um protótipo muito perto da coisa real (de preferência em HTML, com Java script, e print screens de telas de verdade – pode ser de outros sites, se você está começando do zero). Faça isso para vender sua idéia internamente e conseguir apoio para construir. Eles prototipam em Fireworks, que abre direto no browser. O webdesigner não deve apenas colorir o wireframe... (como já sabemos). Visual design, UX design, IA should be together.
- A arte das interações sedutoras, painel do Stephen Anderson. Já iniciou o painel mostrando exemplos de coisas boas: iLike, Dopplr. Explicou porque são boas.
Os motivos pelos quais nosso cérebro identifica coisas como boas experiências. No final deu de brinde uma edição preview dos cartões de Mental Notes que está lançando. A dica final: identificar experiências agradáveis (“that was fun!”). Pensar no que fez a experiência ser legal (qual dos “ativadores cerebrais” estava em ação). Utilizar as cartas para fazer o exercício. Mais aqui: http://www.getmentalnotes.com
- Nina Hartley. Atriz pornô há 26 anos, fofa, articuladíssima, inteligente. Educadora sexual e social networker. Está lançando uma rede social dirigida à educação sexual, SexWise. Porque “sex should be fun!”. E ela quer ajudar as pessoas a terem diversão e felicidade através do sexo, dos relacionamentos saudáveis, de um pensamento não preconceituoso e da curiosidade por si mesmo e pelos outros. Longa vida a Nina Hartley.
- Clay Shirky. Não prestei muita atenção, confesso. Mas gostei disso: “We are moving from a world where we can do big things for money and small things for love, to a world where we can do big things for Love”. I hope so. Esses dias eu tava pensando que havia desistido de fazer o bem pra ganhar dinheiros. Mas que talvez eu devesse ir fazer o bem mesmo que fosse para ganhar menos dinheiros. Porque afinal agora eu não faço o bem e nem faço tantos dinheiros. Mas vai ser melhor fazer o bem ganhando bem.
- Estratégia de conteúdo com a Kristina Halvorson também estava muito legal. “Conteúdo tem que ser pensado do ponto de vista do ultimate goal do business e do que o usuário esta procurando”. Comprei o livro dela e vou estudar mais.
- A danah boyd falou, falou, falou sobre privacidade, mostrou um site interessante - http://pleaserobme.com/ - eu escrevi bastante sobre ela para a materia da Folha – mas pessoalmente não me tocou.
- Recriando seu próprio método de IA. “Um dos maiores problemas que UX designers tem é que não somos creative enough”. I can totally relate to that ;)
Pesquisa é uma ferramenta, mas pesquisa sozinha não deve criar design. O que tem que ser: informed guesses e data-inspired design.
- E um ótimo conselho de Lisa Kamm & Alex Cook, do Google (no painel Long distance UX): fazer frequentes “standup meetings”, de 15 minutos no máximo, com todo mundo (criaçnao, desenvolvedores etc). Meio como uma reunião de status, pra todo mundo saber o que todos andam fazendo, no que cada um esta trabalhando. Parecido com Scrum. “We really want to avoid the UX waterfall. Para isso, o ideal é estar todo mundo no mesma sala, mas isso nem sempre é possível”. Quando não é possível, utilizar a tecnologia e muita comunicação para minimizar a chance de desentendimento.
É sempre bom ouvir o Bruce Sterling. É dark, é irônico, é soturno, é necessário. Basicamente, o mundo tá queimando aí fora, as pessoas se matando, a calota derretendo, e a gente tá aqui fazendo networking e pensando em “monetizar”. E daqui a alguns anos a gente vai ter que ajudar a garotada a consertar o que a gente estragou. O que a gente ajudou a estragar, o que a gente observou estragar, de braços cruzados, while we were busy networking in technology conferences. E a gente vai achar um saco, vai se irritar, porque seremos uns velhos, mas vamos ajudar. Porque “it’s arrogant to give up. It’s arrogant to despair. We have come so far, we can do anything. If at least we were able to open source food and shelter, we could do anything on the internet”.
Yeah. Por isso que eu digo: “isso não é importante”. Isso = o que você faz o dia inteiro no seu trabalho na sua agencia digital. São só sites. Não (se) leve tão a sério.
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Mantendo todos os issos em perspectiva, o SXSW Interactive foi mais uma vez muito generoso para com a minha pessoa. Esse ano eu me atrapalhei, escolhi mal as palestras, fiquei dividida entre o que eu queria ver e o que seria bom para a matéria que eu estava fazendo. Errei muito, não consegui me concentrar de verdade, fiquei ansiosa correndo de uma sala para a outra. Mesmo assim, foi muito bom. Mesmo quando não caem fichas imediatamente, tenha certeza que seeds foram plantadas dentro de ti. I have good friends in Texas. Alguns não moram aqui, mas a gente se encontra no SXSW. Caso do Simon, que ficou também amigo do Mumu. Como eu estava falando com o Simon, as conseqüências do SXSW nem sempre são imediatas. A gente volta pra casa, contextualiza, pensa, rola uma química interna entre nosso universo imediato e o que ouvimos – e o resultado nos alimenta por meses.
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Sou inquieta, áspera e reclamona. Sou, na maioria das vezes, meio tristinha. Eu sou assim, apesar de também ser feliz (assim). Eu gosto de mim assim, apesar de me sentir quase sempre inadequada, mal-acabada (piada interna), insegura. Eu sou uma pessoa confusa e estou sempre questionando a mim mesma, o mundo em que eu vivo, o meu trabalho, minhas motivações, as coisas que faço, onde gasto meu tempo, onde gasto meu dinheiro, os processos, as pessoas com quem ando. Eu gosto assim, acho que isso é necessário. Não sou de ter certezas absolutas e nem de vestir camisetas de coisa nenhuma - ainda mais nessa vizinhança em que convivem os muito ricos e os muito pobres que é o mundo em que vivemos atualmente. Questionar é preciso.
Não gosto de mostrar minhas partes ásperas, inacabadas (como uma construção que ainda não foi terminada, parede sem reboco, fiação pra fora) – mas elas saltam de mim. Eu tenho que não apenas aceitar, mas também não reprimir, e até encorajar. Porque assim sou eu, essa sou eu, e as pessoas são pacotes, né? E principalmente com o mundo lá fora nos reprimindo tanto. Então, aqui, essa sou eu, reclamenta, áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha, como sabem os que me interessam. Não te interessa, unfollowtuesday-me. Fico possessa quando neguinho só quer saber de mim editada.
Pronto, desabafei. Azar que é no blog profissional. (Outra divisão artificial que não me interessa conservar).
A massa conectada no SXSW não deixa dúvidas. Todos estão, o tempo inteiro, em meta-vivências. Sempre com traquitanas ligadas: notebooks (Apple é maioria absoluta), iphones e os mais variados aplicativos para o Twitter. Estamos ao mesmo tempo aqui, fisicamente, e projetados, através dos objetos tecnológicos, a variados "lugares" não físicos. Extensões do nosso corpo mental.
Como arquiteta de informação, uma parte importante do meu trabalho é estudar o negócio e a estratégia da empresa do meu cliente. Ao fazer isso, muitas vezes percebo que a empresa precisa, mais do que um site novo, uma revisão de processos e/ou uma mudança no serviço ou no produto. No entanto, isso está distante do que eu estou lá para fazer, que geralmente é planejar um site.
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