Ah, esse blog semi-abandonado... A falta de tempo, como sempre. E, se não tenho tempo para assuntos sérios - nem para um relato mais útil do EBAI 2009 - pelo menos aqui vai, com duas semanas de atraso, o resultado da Galeria de Estilo dos AIs. Que já é quase uma tradição no mercado! E vocês achavam mesmo que eu ia deixá-los escolher sozinhos votando no Flickr? Aqui vão as unanimidades e a minha seleção pessoal dos mais estilosos: Top de estilo feminino Ela é praticamente hors concours: não tem pra ninguém, a Elisa é a mais estilosa. E sempre, não apenas no EBAI. Cada vez que vou no UOL presto atenção no que ela está vestindo.
Top de estilo masculino
Esse também é unanimidade. O guri sabe circular, com criatividade e peças exclusivas. Enter Lucas Sant'Anna!
Runner-up feminino A garota é mega estilosa! Palmas pra Michelli Chu, gente. Runner-up masculino Sorry, não sei o seu nome! Mas quem precisa de nome quando esbanja estilo, né? (Apareceu o nome, é o Rodrigo Morbey)
Melhores sapatos
  
Letícia Cianconi e sua incrível galocha pink, Constança Val e sua excelente botinha xadrez, e o Emmo na inovação masculina. Melhores estampas  Mário, com coisinhas lilás na camisa , e Sílvia Melo, com look de iluminar o auditório.
Melhores cabelos  Vou ficar devendo o nome, mas a moça à esquerda Amanda Constantino tem uma cor incrível. E a Mari, que está à direita aqui e na minha bancada de trabalho, arrasa no quesito franja (Const, a sua também é um luxo!).

Melhor look corporativo Chiquésima, nossa representante no mundo corporativo, Lu Catonny!
Troféu "Los AIs Indies" Não sei o nome, mas é uma fofa estilo pin up. E o Dudu Loureiro, sk8 or die forever.

Troféu acessórios   
Iris e a melhor combinação sapatilha-bolsa; Carol Leslie e a divertida meia azul, Marcia e sua bolsa-laço. Troféu não-perdeu-a-elegância-apesar-dos-deselegantes
Vai, é claro, para a Carla Martins, com nossos parabéns e votos de sucesso.
E foi assim em 2009. As fotos maiores estão na galeria no Flickr. Todos vocês são cheios de estilo, e queria ter conseguido fotografar muito mais. E ah, como todo mundo já sabe e comenta, o EBAI 2009 foi o melhor de todos. Até o próximo.
Esses dias estava eu pensando, como sempre, em consertar o mundo - no caso, mais precisamente em arrumar processos de trabalho. Minha necessidade era acrescentar uma camada criativa aos produtos interativos que estava planejando, para expandir um pouco minha visão utilitária das ferramentas. A solução que imaginei foi a de que o diretor de arte precisa participar mais do processo de planejamento de user experience, e não pegar o wireframe pronto e transformar num layout e é isso. (Óbvio?) Já falei que gosto de trabalhar formando duplas, e uma dupla importante é com o diretor de arte, na hora de planejar elementos de interface e design de interações. Mas o fato é que mesmo essa dupla é eventual, e rápida. O mais comum mesmo é o DA ter acesso ao wireframe apenas depois de pronto. Assim, quem cria os produtos interativos é o UX/AI. Só que numa agência que trabalha exclusivamente com produtos online, o planejamento das coisas interativas é o principal job de todos os envolvidos: diretor de arte, redator e até diretor de criação. Assim, todo esse povo precisa ter um pé na cozinha do design de UX. É mais ou menos isso que o Andrew Maier, do UX Booth, está dizendo: I would like to suggest the necessity of championing the UX Designers role on projects. Indeed, if modern brands are built entirely online, their role may supersede (or cannibalize) the role of the Creative Director. If the modern User Experience director/designer doesn’t replace the creative director within an organization, she must certainly work hand-in-hand with her colleague, as each of these roles promotes the other one. Mais aqui.
Esses dias a questão pulou da boca de um entrevistado: "Depois que surgiu o Google, a gente se acostumou a simplesmente digitar uma palavra, apertar ok e encontrar tudo sobre o assunto". Em outras palavras, esse usuário prioriza a busca em detrimento da navegação. Não tenho dados sobre quantas pessoas preferem buscar ao invés de navegar. Mas, baseado no que vejo em testes de usabilidade, entrevistas e observação contextual - além da vida diária nesse lugar chamado internet -, acredito que as pessoas estão cada vez buscando mais. Afinal, como bem apontou o entrevistado, a gente se acostumou com o Google. Então, por que nós arquitetos de informação damos tanta importância à estruturação de menus hierárquicos? Não conseguimos começar nada antes de fazer um sitemap. Esquecemos que mesmo a home page às vezes nem é vista pelos usuários que chegam direto a alguma página interna a partir de uma lista de resultados de busca. Menus hierárquicos e taxonomias são importantes, é claro, e não me parece que vão deixar de ser. A informação precisa "morar" em algum lugar. Além disso, certos usuários não sabem o que querem, e não saberão que palavra digitar numa interface de busca. Não saberão como achar um conteúdo a não ser que este conteúdo lhes seja oferecido. Os conteúdos precisam ser apresentados em uma vitrine - na home page e/ou num menu hierárquico. Mas as coisas importantes também têm uma estrutura hierárquica. Então, vamos primeiro às mais importantes - que talvez seja estruturar a informação/conteúdo pensando em formas de acesso nem sempre lineares e organizadas - e sim diferenciadas, caóticas, bagunçadas. Como a vida. No Summit de 2008, na pré-conferência"Information Architecture 3.0", Peter Morville disse que a arquitetura de informação do futuro contemplaria a habilidade criar uma camada de estrutura para o conteúdo e a classificação criados pelo usuário. Ou seja, deixar o usuário criar conteúdo e classificações ("be messy, experiment the whole data thing"), e depois organizar isso e otimizar as formas de apresentação e de busca ("help people refine what they are doing"). Se o trabalho do AI será fortemente centrado em classificar e indexar o conteúdo de maneira robusta e não necessariamente hierárquica, mas olhando as relações entre os conteúdos, as palavras-chave e os objetos, realmente o que fazemos está mudando. Já não é mais desenhar caixinhas em wireframes - e talvez daqui a pouco também não seja colocar conteúdos dentro de (outras) caixinhas e etiquetá-las. Nós somos os caras que planejam os ambientes em que as pessoas vão se relacionar e mudar sua cultura. Pense nisso.
No dia 24 de agosto, vou dar o workshop Arquitetura de informação estratégica para intranets e portais corporativos, promovido pelo Instituto Intranet Portal. As inscrições já estão abertas. O workshop é voltado para a turma que trabalha em empresas (no cliente) e que já tem alguma experiência com AI corporativa. Eu achei que o preço ficou um tanto salgado, mas garanto para quem for que vai valer a pena insistir com seu gestor para conseguir que a empresa pague sua inscrição... Hoje foi publicado um artigo no Intranet Portal que dá uma visão do que será tratado no workshop e o que, exatamente, eu quero dizer com arquitetura de informação estratégica. E aqui vai o programa do workshop: O que é User Experience - Mudanças na atuação do AI
- User Experience
- Como realizar um trabalho realmente estratégico e por que você deveria se importar com isso
Por que AI para portais e intranets é diferente - O que é Enterprise Information Architecture
- Principais características, diferenças, vantagens de fazer AI para ambientes restritos
- Como tratar a questão das plataformas de portais
Primeira etapa de um projeto de intranet: pesquisa / levantamento - Conteúdo é (quase) tudo
- O que observar e quem entrevistar
- Técnicas de entrevista, observação e análise
- Ferramentas e documentação
Segunda etapa do projeto: diagnóstico e principais definições - Fazendo a "mágica" transição da pesquisa para o planejamento
- O trabalho de síntese
Como fazer social na sua intranet - Por que utilizar ferramentas sociais na sua intranet
- Ultrapassando o firewall
- "Pessoa física" x "pessoa jurídica"
- A importância da reputação em portais corporativos
O Twitter está em todas - até dentro da sua empresa - Exemplos de utilização do Twitter por empresas internacionais
- Por que usar o Twitter e como melhor aproveitar a ferramenta
- Alternativas ao Twitter
Terceira etapa: planejamento - Como transformar as etapas anteriores em estratégia
- Design games: aproveite que seu usuário é seu vizinho de bancada
- E um pouco de "little AI": wireframes, protótipo navegável, sistemas de navegação
- Teste com protótipo
- Hi-fi x Lo-fi: quando, como a para quem
Desenvolvimento, implantação, gestão de conteúdo e governança - O que o AI tem a ver com isso?
- O trabalho do AI depois de entregues os wireframes
Está começando a segunda metade da minha vida. *** E eu já comecei a me dar presentes. O primeiro deles foi o show do Ney Matogrosso, perfeitamente intitulado "Inclassificáveis". O cara é definitivamente inclassificável. Seduz todo mundo, homens e mulheres gritam e se emocionam. Rebola, troca e tira a roupa, coloca colares e coisas na cabeça. Tenho um medo chato de envelhecer, e talvez por isso tenha ido ver o Ney, um cara de quase 70 anos que é lindo, talentoso, gostoso, forte, incrível. Uma pessoa, enfim, fora de série.  Me apaixonei por ele quando eu era criança. Lá em casa o disco dos Secos e Molhados tocava toda hora. Imagina isso, nos anos 70, quatro caras com os rostos pintados e esse ser inclassificável rebolando semi pelado. Em plena ditadura. Falando de lobisomens, bomba de Hiroshima, gatos pretos cruzando a estrada. Apesar da ditadura, os Secos e Molhados tiveram uma entrada democrática em casas das mais diversas classes sociais e tipos de famílias. É preciso ser muito macho pra ser do jeito que é o Ney Matogrosso. Um puro exemplo de vida vivida intensamente sem ser consumida pela intensidade. *** Hoje tive um sonho muito bonito e religioso. Havia um homem que tinha deixado seu trabalho para viver fazendo peças de mosaico. Uma dessas peças estava no chão, ele tinha botado fora. Era uma saboneteira. Eu peguei do chão e fiquei examinando, e perguntei pra ele porque tinha jogado fora. "Ficou muito grande", ele falou. Eu disse que achava que estava bom, que para mim era do tamanho certo, e perguntei se podia ficar com ela. Continuei examinando a peça, e acho que mordi a cordinha que tinha a função de pendurar a saboneteira na torneira do chuveiro. Com a cabeça baixa, olhando bem para a peça de mosaico que, um tanto velha e malcuidada, meio que se desmanchava na minha frente, entrei numa espécie de transe e oração. E disse que Deus não dá às pessoas nada que seja maior do que aquilo que elas podem morder. E que eu tinha certeza que ele mandaria para mim um pedaço do exato tamanho que coubesse na minha boca. Era, ao mesmo tempo, uma aceitação profunda do que eu tenho que lidar agora e um pedido para que venha uma nova situação, mais adequada ao que eu quero abocanhar. *** Apesar de não ter vivido como Ney Matogrosso, eu tive uma vida bastante interessante até aqui. Agora, está começando a segunda metade da minha vida: no dia 14 de junho eu faço 40 anos. E eu decidi que vou viver a segunda parte da minha vida de um jeito ainda mais interessante. Como diz o Ney, "ser novo, pra mim, é algo velho". Eu sempre tive muito medo de ficar velha. Pois agora estou achando que é a melhor coisa que podia me acontecer ;)
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