Definindo fronteiras

Um post rápido só para comentar um assunto que surgiu esses dias na lista e provocou certa polêmica (que não pretendo incentivar). Se não me falha a memória, alguém disse que arquitetura de informação e design de interação eram coisas bem diferentes, e que, no mercado, só temos que fazer as duas juntas por desinformação ou por falta de profissionais qualificados. Acho que foi isso, mas nem estou bem certa. Na verdade, esse é um assunto antigo, que inflama o povo, tem a ver com little IA x big IA, se discute isso em todos os eventos, etc. E tem relação com a mania da gente de querer categorizar, rotular, e finalmente definir "the damn thing".

Depois da discussão na lista, o Fred lançou um twit dizendo que só "newbies" acham que AI e design de interação são a mesma coisa (eu vi, eu vi ;)

Não compartilho com ele esta opinião afiada, mas o certo é que a mistura é provocada por muita desinformação (o que, infelizmente, é uma característica do mercado de AI brasileiro). Eu sempre achei que eram coisas bem diferentes, e tenho dito que, numa equipe ideal e num mercado maduro, existiria um profissional para cada coisa. E que a gente aqui no Brasil faz tudo junto porque já é difícil que se contrate um cara de UX, imagine mais de um. E porque aqui ainda acham que arquitetura de informação é fazer wireframes - na verdade, agora é "mexer no Axure e fazer protótipo". Eu sempre sofri com isso - porque sou muito melhor como arquiteta de informação do que como designer de interação ou como "planejadora de interface". Hoje em dia, quando me vejo rabiscando página para ser montada no Axure, fico me perguntando how the hell eu acabei fazendo isso - que na faculdade a gente aprende a chamar de diagramação, e que não é feito por jornalistas, e sim por designers gráficos. Tem gente que faria isso muito melhor do que eu. Acabei aprendendo alguma coisa porque para ser AI tenho que fazer isso também, mas não tenho a menor familiaridade com o processo que define se esta caixa fica melhor na direita ou na esquerda da página e etc. Jornalista edita, gente da arte diagrama.

Bem, mas toda essa falação é pra dizer que daí, ontem, lendo o blog do Rogério Pereira, ele falou sobre a entrevista que o Gil Barros (com quem atualmente divido a bancada na Try alguns dias por semana) deu pro Luli, para o JumpCast. Na entrevista, o Gil falou das diferenças entre a arquitetura de informação, design de navegação e design de informação. Segundo o relato do Rogério, Gil explicou que "arquitetura de informação é o trabalho de categorizar e organizar as informações de uma maneira que faça sentido para o usuário" (é isso que eu sei e quero fazer!!!). O "design de navegação é como o usuário irá navegar por esses ambientes. E o design de informação é a etapa onde o profissional se preocupa em apresentar a informação de uma forma simples, compreensível e agradável".

Design de informação seria o que eu chamei ali em cima, de maneira muito simplificada, de diagramação e "rabisco de página". E vejam que o Gil nem sequer falou de design de interação: ficou com "design de navegação". Isso pra mim faz muito sentido. E certamente deve fazer o Fred feliz. Cada um com cada qual. E o design de interação realmente é um mundo muito mais vasto do que a navegação em ambientes digitais.

Agora posso voltar a fazer AI, please?

 

Certo, mas vc acredita que o

Certo, mas vc acredita que o papel do arquiteto de informação, numa empresa em que coexistam o AI e o design de interação, iria até a definição da organização da informação apenas? Eu não vejo dessa forma. Para mim o AI, mesmo com a presença de um design de interação, iria sim, até a fase do q o Gil chamou de design de informação - mas ele não entraria em detalhes, faria a marcação das áreas, definiria na tela, a hierarquia das informações. Mas de todo jeito, se um dia isso acontecer aqui no Brasil (não creio que seja uma questão de maturidade ou não, é uma questão de necessidade e adaptação de mercados, visto que até msm nos EUA e na Europa, nem todos os lugares contratam ambos os perfis profissionais), o perfil do AI teria que mudar drasticamente. Conversando com vários AIs de N agências, percebi que muitos sequer fazem um mapa de site, meis raro ainda é encontrar quem faça um mapa mental. Raro também é encontrar os que fazem o inventário de conteúdo e os fluxos e processos. Ou seja, teríamos que ter outro profissional, com perfil diferente do AI nacional.

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