
A tropa de choque era composta por Christina Wodtke (Linkedin), Gene Smith, Ross Unger (UserGlue) e Joshua Porter (Bokardo). O nome do painel já dizia tudo: Evolve or Die: the future of IA examined. Nitroglicerina pura. A platéia estava ansiosa e inquieta. Gene Smith até que começou gentilmente, dizendo que a arquitetura de informação está num beco sem saída. Por mais que os profissionais procurem evoluir, as empresas e agências colocam a AI numa caixinha. Pequena: o que se quer da arquitetura de informação são sitemaps e wireframes. É a "little IA", que, aprendemos, deve ser executada após a "big IA" (pesquisa e estratégia).
Quantos posts de blogs do arquitetos do mundo inteiro já trataram disso? Quantas vezes enfatizamos para nós mesmos e nas empresas em que trabalhamos que nosso papel não é apenas desenhar caixinhas? Por que isso ainda é um problema? Queremos ter um papel mais estratégico - e o cliente, ou o GP, ou o dono da projeto, ou quem paga, só quer saber do sitemap e dos wireframes. Porque é mais barato. Porque não precisa fazer pesquisa com usuário. Porque estratégia demora. Porque o salário de quem só faz sitemap e wireframe é mais baixo.
Mas a gente empina o peito e continua insistindo. Afinal, estratégia é o coração da nossa atividade. Ninguém quer passar a vida fazendo quadradinho. Apesar disso, o projeto continua precisando de wires e sitemaps, e a gente também faz isso. Se eu não fizer um wireframe, o diretor de arte tem um ataque e o desenvolvedor vai fazer o que lhe der na telha. E o chefe me demite.
Sim, nós sabemos que os entregáveis não são o produto final. E é ridículo gastar um mês polindo um wireframe até fazê-lo brilhar. Ora bolas, o wireframe vai pro lixo! O que interessa, disse Joshua, é o produto final, e não o processo e os entregáveis. "The deliverable that matters the most is the final product". E o processo, ou a metodologia, cada um que use a que mais convém ao projeto, aos objetivos e às audiências.
Mas a tropa de choque detonou os entregáveis sem dó nem piedade. Christina, especialmente, falou deles com um desprezo imenso, como se wireframe fosse cocô. O que, vocês ainda fazem wireframes?? Russ Unger assassinou a "little IA" e disse que não devemos aceitar de jeito nenhum o papel de meras ferramentas. "Don't be a tool, be a rockstar!". E jogou a bomba: "Maybe the Polar Bear Book is not the place to start today". Silêncio no salão do Peabody Memphis. Para Russ, há um espectro amplo de atividades que também podem ser de responsabilidade do AI. Que começam bem antes e terminam depois das atividades que tradicionalmente estão associadas à arquitetura de informação.
Essa conversa toda pode ser interpretada como um tremendo tiro no pé da nossa profissão. A classe passou tanto tempo se auto-afirmando, mostrando para o mundo como o que fazemos é importante - e de repente todos mudam de idéia. Parecem estar dizendo que - ok, uma parte do que fazemos é importante, mas a parte pequena não é mais. Mataram a "little IA" e só o que importa é estratégia. E talvez seja isso mesmo, sem tirar nem pôr. Daqui a pouco, os webdesigner não precisarão mais de nós (alguns nunca precisaram. Alguns desses que nunca precisaram faziam sua própria AI. Outros faziam sites inavegáveis). Nós ainda precisamos deles, mas só dos que podem prescindir de um wireframe. Segundo Christina, se você ainda precisa fazer wireframes é porque não tem webdesigners que saibam pensar. "Fire your designer", disparou.
Quando chegar o momento em que designers visuais (os que pintam as caixinhas que a gente faz, haha) não precisarem mais de AI, talvez seja a hora certa para pegar o conhecimento que adquirimos ao fazer AI e começar a fazer alguma outra coisa - maior, mais ampla, mais estratégica, ou talvez até mais especializada. Que pode ou não ser chamada, ainda, de AI. "You are not your title", enfatizou Christina. Seu cargo pode ser arquiteto de informação - mas não é por isso que você vai fazer apenas AI (as we know it now), o tempo inteiro.
Para não deixar ninguém deprimido, aqui vai uma listinha de coisas que Christina sugere como novos caminhos para arquitetos de informação: design de algoritmos ("if data design is your thing, go deep"), design de sistemas de recomendação, criação de ambientes sociais, seleção de plataformas tecnológicas, aperfeiçoamento de modelos de negócios. Não consegui anotar todas, mas talvez seja melhor assim. Aproveite para fazer um exercício e liste mais algumas. O que você quer ser quando crescer?
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Minha descrição do que eu faço, ali em cima no header do site, está em constante mutação. Eu sempre achei que o que fazia não era apenas arquitetura de informação, e que talvez chegasse o dia em que não fosse nem um pouco AI. Depois de assistir ao keynote de abertura do Summit, pelo Michael Wesch (The machine is US/ing US), fiquei um pouco deprimida achando que o que nós fazemos é tão pequeno comparado com o que pode ser feito na intersecção do mundo digital com o mundo físico. Que, como já disse no post anterior, já é quase inexistente. Nós somos os caras que planejam os ambientes em que as pessoas vão se relacionar e mudar sua cultura. E isso é mega interessante...
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Estou detestando Memphis. É uma cidade morta. A única coisa que Memphis tem going on é Graceland, a casa do Elvis - que é longe do hotel do Summit. Da outra vez que vim pra cá escrever sobre o Rei, fiquei lá perto. O Peabody Hotel é no centro da cidade, que parece uma cidade fantasma. Não tem nada nas ruas, nem lojas e nem pessoas. Nem mesmo uma livraria tem por aqui. Só o que tem são alguns restaurantes, um shopping enorme com menos de meia dúzia de lojas (o segundo andar fechado) e Beale Street, que supostamente é a rua do blues, mas para mim parece uma armadilha para turistas incautos.
Pelo menos o delta do Mississipi é bonito.

Até que enfim a ficha caiu!
Excelente post Ale. Adorei!
Inspirador, Ale. Muito
Depois não digam que eu não avisei...rs
A AI precisa tomar outros
Ai que inveja
Inspiration
Termômetro
confissão
Parabens
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