Será que algum dia vamos conseguir voltar a prestar atenção em apenas uma coisa de cada vez?

A massa conectada no SXSW não deixa dúvidas. Todos estão, o tempo inteiro, em meta-vivências. Sempre com traquitanas ligadas: notebooks (Apple é maioria absoluta), iphones e os mais variados aplicativos para o Twitter. Estamos ao mesmo tempo aqui, fisicamente, e projetados, através dos objetos tecnológicos, a variados "lugares" não físicos. Extensões do nosso corpo mental. Só falta mesmo um implante neural para acrescentar camadas de interface às várias camadas mentais que já botamos em uso.




(Eu nunca prestei atenção em apenas uma coisa. Na faculdade, levava um livro para a aula. Ficava lendo escondido, parava de ler quando ouvia alguma coisa que me interessava).

No avião, três horas de espera para decolar. O colega ao lado, também vindo do SXSW, tem uma empresa de social media marketing. Conversamos sobre Twitter e redes sociais, ele quer saber quais são as mais adotadas no Brasil. Me conta várias histórias e conversamos sobre a onipresença do Twitter. "Todos os clientes querem estar lá", diz Brian. Mas, como ouvi numa palestra, o Twitter não é para todos. Tem quem erre feio, tem quem não utilize o potencial total, tem quem faz baldes de dinheiro - vide Skittles, Dell, JCPenney, Carnival Cruises, HR Block etc... todos têm uma experiência para contar (a última é: não espere usuários bonzinhos em live streams não moderados).

Como o Twitter veio a ser tão importante? Diz o colega que o serviço explodiu justo aqui, no SXSW, em 2006. Por que o Twitter veio a ser tão importante, nem que seja para falar bobagens? Alguém lembra o que fazíamos, antes, no tempo em que agora estamos no Twitter? O que substituirá o Twitter? Já inventaram vários Twitters melhorados, como o Plurk. Mas não têm penetração. A interface do Twitter é ruim - mas dá conta do recado. "Não foi inventado para isso", diz o colega do avião. Foi inventado para uso corporativo. Uma espécie de IM/jornal mural. Ouvi mais de uma pessoa dizendo que o Twitter "brilha" em situações como a ques estávamos - palestras e conferências. Possibilita comentar em tempo real com outros participantes sobre o que os palestrantes estão dizendo. Enfim, meta conversar em silêncio.

E como o Twitter ganha dinheiro (não ganha) e como vai começar a ganhar? Quando começar a fazer dinheiro, o que nós, usuários, vamos achar do uso que vai fazer da base de usuários (nós), seu bem mais precioso (que nós damos de graça em troca da utilização do serviço)?

Na palestra sobre o fim do e-mail (que acabou com a conclusão de que não haverá fim, porque o e-mail não tem substituto, pelo menos para algumas finalidades e algumas faixas etárias - tipo a minha), um palestrante contou que um dos funcionários dele trabalha de casa, em outro estado, e andava se sentindo (e a empresa também) sozinho, abandonado, afastado. Quando todos começaram a postar no Twitter conversas sobre o escritório, o colega subitamente voltou a sentir-se incluído. O Twitter é um lugar onde todos estão, mesmo não estando de corpo presente. Tipo a máquina de café, o mural de mensagens. Vou ali ver o que todos estão pensando, dizendo, falando.

Na Zappos, os novos funcionários recebem treinamento para usar o Twitter. Ajuda a construir e manter a cultura da empresa, diz Tony Hsie - prioridade do pacote corporativo Zappos. Um dia, alguém twitou que estava morrendo de vontade de comer um burger - e o burger magicamente se materializou na frente do faminto, graças a um colega atencioso. 400 funcionários da Zappos estão no Twitter.

E diz Bruce Sterling que estar conectado vai em breve ser sinal de 'poverty' - por conta da penetração do acesso à internet por celulares, e a grande popularidade dos celulares em populações de classes C e D de países do terceiro mundo (e disse também que "the elderly are going to be the backbone of a non-commercial social web..." - fantástico - ou pode ser apenas wishful thinking. O futuro aos anciãos pertence?)

O Twitter name de uma pessoa já passou a ser a informação que mais faz falta num cartão de visitas. Passei a conferência inteira me comunicando com novos instant friends ("friends" são assunto para o próximo post) sem sequer saber o e-mail deles. E olha que eu adoro e-mails. Principalmente os bem compridos.

Agora, "a gente se vê no Twitter".

 

money

O Marcelo Tas vai ganhar dinheiro com o twitter antes dos fundadores do Twitter. Tá acompanhando a polêmica do tweet pago? beijo!

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