AI: na criação ou no planejamento?

Foi uma das primeiras coisas que questionei na agência nova. Uma perna aqui e outra lá, nem lá nem aqui, muito antes pelo contrário. Enfim, não havia um consenso sobre o lugar da arquitetura de informação nos processos da agência.

Daí no EBAI teve toda uma discussão sobre arquitetos serem uma ponte entre a estratégia e a interface, e não apenas fazedores de wireframes, e a necessidade de lutar dentro das agências por uma robusta etapa de pesquisa nos projetos. Se é assim que tem que ser, então claramente estamos mais para planejamento do que para criação. A Sílvia Melo fez uma enquete sobre isso no blog, e 46% das pessoas disseram que a AI tem que estar próxima do planejamento. 32% colocaram em design e criação, 10% em engenharia e interface, e 11% acharam que deveria ser independente.

Desde que me entendo por arquiteta de informação, nunca tive dúvidas. O que eu faço na maioria dos projetos têm mais relação com planejamento do que com criação. Tanto que lá no header desse site a primeira palavra que se lê é justamente "planejamento". Eu vivo defendendo isso aqui. Pesquisa, embasamento, fatos, fatos. Em cima de fatos é que se constrói a solução. A AI estuda os fatos e as variáveis, determina as questões a serem atendidas e os problemas a serem resolvidos, estabelece objetivos e diretrizes. Para só então começar a desenhar a solução, com base nessa pesquisa toda. 

Aí hoje vi o Braincast com Jean Boëchat e Ken Fujioka, diretores de criação e planejamento da JWT, justamente sobre a relação entre criação e planejamento dentro de uma agência. E lá pelas tantas o Jampa made my day. Ele - que é diretor de criação, veja bem - comparou o profissional de planejamento com arquitetos de informação. "É uma coisa meio óbvia, você precisa ter uma estrutura". A estrutura quem determina é a AI. Baseado em pesquisa.

 

 

 

Fujioca lembrou que no exterior muitos arquitetos de informação estão se tornando profissionais de planejamento - o que também se vê acontecendo por aqui. Naturalmente, o AI acaba migrando de planejamento de ambientes digitais (sites, intranets, hotsites etc), para planejamento de estratégias digitais - da small picture para a big picture. Diz o Jampa: "Tem gente que está partindo para este caminho mais estratégico, até porque [o caminho] tem um pouco mais de inteligência". Quando trabalhava na Click, ele costumava fazer piadas dizendo que a arquitetura de informação era mais inteligente que o resto da criação (rsrsrsrs, olha o vídeo, foi ELE quem disse, não tenho nada com isso).

E eu não me acho mais inteligente que ninguém, mas sou claramente um ser de planejamento. Até por que eu não tenho talento para ser da criação. Eu não consigo ter idéias geniais baseadas em brainstroming. Eu nem sei fazer brainstorming. Mas eu consigo muito bem planejar soluções baseadas em pesquisa.

Será que a AI, que é tão variada e facetada, vai também acabar se dividindo em AI de planejamento e AI de criação?

Será que os AIs de viés mais estratégico vão deixar de ser AIs e virar profissionais de planejamento?

Seja como for, é interessante observar como o mercado e profissionais que não são de AI estão vendo a atividade de arquitetura de informação. Pelo jeito, o futuro tende mais para o lado do planejamento do que da criação.

 

AIs criativos ou não?

Oi, Alê! Ótima questão! Eu tenho pensado muito sobre onde os AIs se encaixam dentro de uma empresa e confesso que tenho dificuldade de pensar em AI fora da Criação. Isso pode ser um problema meu pq toda aminha experiência foi sentada dentro da Criação, esticando o pescoço pra palpitar no trabalho dos designers. Mas concordo que às vezes a gente vira fazedor de wireframes e babá dos designers em vez de dar uma contribuição mais estratégica pros produtos que projetamos. Nesse caso, também faz todo sentido se aproximar do planejamento ou da gerência de produto. Pra mim tem tb uma questão semântica: se OS AIs não fazem parte da Criação, os únicos criativos da história passam a ser os designers? Hum, injusto, não? ;-) beijo!

Oi Ale. Você como pouca gente

Oi Ale. Você como pouca gente tem propriedade para falar desse assunto por ter trabalhado com AI fora de agência também. Já volta chutando o balde para questionar isso =). Tu é de planejamento sim. =) Muito fera teu posicionamento. Agora que larguei diretamente AI e virei producer, tive a chance de atender um monte de agências. Isso dá o efeito bom de ter contato com muitos arquitetos diferentes. Como resultado, perdi um monte das certezas que tinha sobre esses assuntos. Tudo "vareia demais": tem agência que PRECISA de fazedor de wireframe para acelerar trabalho de diretor de arte, que por sua vez, incorpora o papel de pintador de wireframe. Tem agência que precisa do AI estratégico, com pegada de planejamento, menos jagunço e que faz wireframe na menor parte do tempo. Talvez a maior parte das agências procurem alguém que saiba se colocar nesse gradiente conforme a pegada da demanda que tiver atendendo. Enfim, to escrevendo demais. Teu blog tá lindo e ver você pilhada para escrever é o ouro. Valeu, bjs...

AI na criação tem que ter pegada de designer de interação

Dear Nandico, seja bem-vindo! Tu tens razão quando dizes que tem lugar pra tudo. Eu tava até pensando em um próximo post sobre o papel do AI na criação. Eu acho que aí a ênfase é no design de interação, e imagino uma killer dupla entre o designer de interação e o diretor de arte. Pra que não fique o "fazedor de wire" de um lado e o "pintor de caixinha" de outro, mas que possam trabalhar juntos para buscar interações e interfaces realmente inovadoras e ao mesmo tempo usáveis e simples.

Fala Ale, Assino o feed do

Fala Ale, Assino o feed do seu blog a um bom tempo e tô sempre lendo aqui, porém nunca comentei. Legal vc citar o programa do Braincast, ele faz parte do Enxame.tv, um projeto da colmeia onde eu sou AI. Tbém acho q AI está muito mais perto de planejamento do que criação. Eu costumo auxiliar tto equipe de desenvolvimento qto criação, mas gosto e acrescento mais no planejamento realmente e acho que o papel de AI está muito mais próximo disso. abçs, parabéns pelo blog.

Eba, visitas

Vinicius, deve ser bacana trabalhar na Colmeia! Aliás, achei muito legal aquele player do Braincast.

Valeu a visita, volte sempre ;)

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