Às vezes acho que sou muito chata em relação ao que espero de empresas, produtos e serviços, e na minha insistência por conteúdo relevante e não interruptivo. Ando numa guerra inútil contra companhias aéreas e mais recentemente contra a Net. Inútil porque minha indignação contra os péssimos serviços não é ouvida e não muda nada. São empresas que cobram caro e entregam serviços péssimos, e nós, como consumidores, temos pouco poder para mudar. Podemos mudar de empresa, mas no Brasil não existe livre concorrência, principalmente em aviação e telecomunicações - então dá tudo no mesmo.
Como designers, talvez tenhamos (apenas) um pouco mais de poder. Porém, mais do que tudo, temos obrigação. Se fazemos design centrado no usuário, uma de nossas preocupações é "produzir algo que sirva aos humanos de uma maneira positiva". Não basta apenas fazer uma interface usável e organizar a informação adequadamente. Temos que nos perguntar: esse produto, empresa, serviço, conteúdo estão entregando qualidade e valor aos usuários, ou é tudo uma mentira? Se não estão, o que eu, como designer de soluções centradas no usuário, posso fazer para melhorar? Às vezes, não vou poder fazer nada. Mas é minha obrigação tentar. E a parte mais adequada para tentar é na pesquisa e planejamento. No alinhamento à estratégia de negócio. Também é quando uma agência é contratada para tentar resolver o problema de uma empresa com mídia social (não dá pra ficar só na mídia social, obviamente. É preciso tentar influir mais profundamente).
(Sei que isso é uma racionalização para que eu aceite mais facilmente um trabalho que às vezes é "do mal". Eu ajudo empresas a encher os asteriscos de dinheiro vendendo produtos e serviços que nem sempre são necessários, bons, úteis, de qualidade. Às vezes, é preciso uma certa ginástica ética para conseguir).
Eu sei também que isso pode soar meio ingênuo. Mas achei que hoje era um bom dia para utopias e acreditar em milagres.
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O post que inspirou esse post foi de Daniel McKenzie na lista da IxDA:
[...] there is a feeling that as designers, we're helping to support a voracious appetite, deploy toxic advertising and other not-so-healthy interests. Part of the idea of human-centered design principles is to produce something that serves humans in a positive way.
However, as designers we're often motivated by working on interesting projects, building our portfolios and resumes and/or just getting a paycheck, often with little or no interest in the effects of our actions. It's quite clear that the 21st century designer will need to be not only more environmentally conscious but also conscious of the effect their designs have on other human beings (both physically and mentally).
This will require nothing short of an enlightened society. But let's face it, the 20th century was a disaster on so many fronts and we can't afford to continue like this. At the end of the day, design is a tool that can be used to either help alleviate human difficulty or serve a greed-driven, shallower purpose.
A thread se chama Can good design save the world?"
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