Relevância e widgets são o novo preto

Ontem tive a oportunidade de assistir ao Seminário Info sobre Redes Sociais. O preço era um tanto salgado, e alguns painéis ficaram em apenas mais do mesmo, sem avançar muito além do que todos falam. Mesmo assim, eu gostei. Desculpem se vou soar ingênua, mas agora que um dos meus trabalhos é em agência, abre-se para mim o mundo do mercado publicitário no meio digital ;) Também gosto muito de trabalhar com mídias sociais, e pretendo direcionar cada vez mais minha atuação para ambientes colaborativos. Então, achei o evento bacana.

Aqui vai um resumo das coisas que mais me chamaram a atenção:

Widgets are the new black.
Só se falou neles. Pequenos aplicativos que os usuários baixam para o desktop ou inserem em seus perfis em redes como Facebook ou Orkut. O segredo da eficiência dos widgets é a prestação de serviço. Eles precisam ser úteis, e não apenas bonitinhos. E o serviço tem que ser para o cliente também. Na opinião de Paula Limena, da Imageneer, “as agências sugerem coisas que não têm residual nenhum. Tem que pensar nos objetivos das interações, fazer o trabalho de trás para frente: primeiro, determinar o objetivo, e depois ser criativo. Ser criativo sem ter um objetivo pode ser um tiro no pé”. Assim como no planejamento de um ambiente digital complexo, como um portal corporativo, o alinhamento à estratégia de negócios é fundamental até para um pequeno widget.

Paula citou como exemplo um widget de score de QI desenvolvido para o Facebook. O criador tinha a intenção de mapear pessoas com alto QI, pensando no desenvolvimento de um site de encontros para esse nicho. Útil para usuários e para a empresa.

Publicidade em redes sociais: como não chatear (tanto) o usuário
Ninguém gosta. Eu mesma detesto propaganda infiltrada em espaços que deveriam ser vazios (por exemplo, eu arranco os adesivos da Fiat no assento dos aviões da TAM). Yvan Lima, o moderador da Comunidade Corinthians no Orkut, disse que a antes não havia receptividade para empresas nessa que é a maior rede social utilizada no Brasil. Era visto como invasão do espaço. Aos poucos, talvez muito pelo esforço das agências, os usuários começaram a ver que poderia ser interessante – só depende da empresa ter noção. Nada de perfis fantasma ou anônimos, de chegar “chegando”. E tem que pedir licença.

Novamente os widgets utilitários foram citados: para Max Petrucci, da Garage Interactive, são a melhor forma de se pensar a presença de empresas em redes sociais. “O formato publicitário em qualquer ferramenta de mídia social em geral não é bem-vindo. O widget é mais eficiente porque presta um serviço”.

O usuário também pode colaborar para não ser tão chateado. Quanto mais segmentação, mais relevância. Para Fabio Boucinhas, do Yahoo!, quanto mais o usuário mostrar de si mesmo, mais a publicidade apresentada será útil para ele.

Relevância vale (bem) mais do que audiência – ou o conto da torre de blogs
Não adianta ter milhões de page views, é preciso fazer sentido. No mundo da user experience, um dos pilares mais importantes, junto a conteúdo e usuários, é o contexto. A relevância é o contexto do mercado publicitário digital.

Para Manoel Fernandes, da Bites, a relevância está na riqueza de conteúdos gerados pelos usuários (recentemente, na Salve, participamos de uma concorrência em que o cliente queria apenas uma “reforma visual”. Nós desenterramos camadas de conteúdo que estavam soterradas, e acabamos surpreendendo o cliente, que nem imaginava que tinha tudo aquilo).

E conteúdo rico está onde há diálogos acontecendo a partir de informações que qualquer um pode gerar: nas redes sociais, nos blogs, etc. Segundo Wagner Martins (Mr. Manson), da Espalhe, “num mundo onde todos produzem e disseminam informação, a moeda é a relevância. O Google se ligou nisso. Não faz sentido [para uma empresa] querer produzir conteúdo e competir com 4 milhões de produtores de conteúdo. Mas é preciso categorizar, indexar, e tornar relevante”.

No afã das empresas em pegar o bonde da presença digital, estão na moda ações com blogs conhecidos. Assim, já vimos posts pagos e geladeirinhas sendo distribuídas para blogueiros influentes. Para Mr. Manson, isso talvez seja um equívoco, já que a força da blogosfera como mídia não está nos “cercadinhos de conteúdo”, em blogs com 1 milhão de page views. “A força está nos blogueiros que nem sabem o que é ser blogueiro”.

Pare ele, relevância = conteúdo + relacionamento. “Relevância pode ser convertida em qualquer coisa. Se eu quiser, posso até trocar minha relevância por geladeirinha” (rsrsrs).

A conversa fez muito sentido pra mim, uma pessoa que detesta interferência e que não gosta de submeter os outros a conversas que ninguém quer ter:

Se quer ver sua marca falada na blogosfera, dê ferramentas de relevância, ou seja, informação útil. Tem que dar ao blogueiro meios para ele gerar conteúdo e se tornar relevante. Comprar post com dinheiro é forçar uma conversa que ninguém quer ter. Gerar assunto é bem mais difícil, mas bem mais eficiente.

Mídia de massa comunica, mas não mobiliza, não convence. Se eu pagar um merchandising na novela para a Patrícia Pilar dizer que eu sou o cara mais bonito do Brasil, ninguém vai acreditar. Mas se eu convencer a Patrícia Pilar carnalmente, e ela escrever no blog, daí sim as pessoas vão acreditar. É preciso gerar assunto, conversar, convencer.

Ele terminou contando que um dia entrou numa agência do Bradesco e tinha um banner: “Financie seu carro no Bradesco e ajude a Mata Atlântica”. Alguém acredita que mais um carro nas ruas vai ajudar a Mata Atlântica? Não convence ninguém. “O poder do argumento do nicho desconstrói o discurso de massa”.

O futuro é móvel (hey, eu já disse isso antes)
Móvel e localizável. Já existem maneiras de saber onde estão fisicamente os usuários, através de seus celulares, e integrar essa geo-localização com redes sociais. Imagina as possibilidades...

Para Fiore Mangone, diretor de serviços e software da Nokia, o celular vai se tornar a grande ferramenta de interação entre o usuário e as redes sociais. Sandra Jimenez, diretora de TI e Novos Negócios da MTV, está preocupada com quem vai pagar essa conta. “É preciso pensar em um modelo de negócio para redes sociais no celular”. Um modelo que seja bom para o usuário, naturalmente. Porque a conta de celular não é nada barata...

Veja no site da Info a cobertura do evento, com podcasts.
 

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