Prêmio Intranet Portal 2010

No dia 31 de agosto serão conhecidos os vencedores da edição 2010 do Prêmio Intranet Portal. O prêmio, que existe desde 2008, é uma ótima e rara oportunidade para conhecer projetos de portais corporativos, que vivem escondidos dentro das empresas - saber como foram feitos e como é a equipe que os mantém.

As intranets são avaliadas em três quesitos: conteúdo, integração e colaboração. Neste ano, fui convidada para ser jurada do quesito conteúdo, junto a Andre de Abreu em colaboração, Ricardo Neves em integração, e à presidente do juri, Ana Neves.

Para o grande prêmio, são escolhidas duas organizações - uma privada e outra não-privada (terceiro setor e governo). O prêmio destaca também três vencedores em cada uma das categorias (conteúdo, integração e TI).

Os finalistas são:

Setor privado:

Embratel, Ferrous e Totvs 

Não-privado:

Eletrobras, Hospital Geral de Pedreira e ONS 

 

Inscrições para o coquetel de premiação pode ser feitas, aqui: http://www.premiointranetportal.com.br/

 

Há clientes e clientes

Assim como há pessoas de tudo que é jeito - legais e antipáticas, arrogantes e amigas, gente boa e gente ruim - também tem clientes legais e clientes insuportáveis. É óbvio que quando a pessoa não é boa na vida em geral, não vai ser também agradável no trabalho. E, numa relação cliente-fornecedor, uma pessoa que já não é flor que se cheire, e ainda por cima está assinando o cheque, vai ser provavelmente um pesadelo em forma de reuniões e aprovações.

Eu já tive experiências terríveis com clientes insuportáveis. Gente que eu não gostaria nem de cruzar na calçada. Felizmente, hoje em dia tenho o prazer de trabalhar com algumas pessoas bem legais, que encaram o projeto de forma colaborativa, que não esperam que a gente simplesmente execute ordens, que gostam de debater, enriquecendo o processo e o resultado. Que entendem, enfim, que um site não é que nem um produto, que se encomenda e se especifica e se recebe pronto. Mas que é sim um verdadeiro retrato da instituição e de como ela encara a comunicação. No final, o site não tem a cara da agência, apesar de ser a agência que planeja, desenha, sugere. O resultado de um projeto de ambiente digital é tão bom quanto são as pessoas da empresa.

Por isso, cliente bom é pessoa do bem.

 

O lado B da cobertura do SXSW interactive

Versão original de um dos textos que sairam na Folha de São Paulo:

 

SXSW, South by Southwest - ou apenas "South by", para os frequentadores assíduos - é um festival que acontece há 24 anos em Austin, no Texas. Foi criado como um evento de música, com o objetivo de divulgar a prolífica cena local. Em 1994, os organizadores anteciparam a convergência de mídias, e conferências sobre cinema e internet passaram também a fazer parte do evento. Desde então, o SXSW Interactive tem se firmado como um dos principais eventos internacionais de tecnologia, apesar das características não convencionais, e passou a fazer parte da agenda de profissionais de várias áreas - desenvolvimento, pesquisa, programação, design, publicidade. Todos os anos, em março, a pequena, simpática e progressista capital do Texas é tomada por nerds e geeks em busca de tendências, inteligência digital, gadgets, networking e muita festa.

O que leva essas pessoas a Austin pode ser resumido pela palavra inovação. Não é à toa que o painel de encerramento é de responsabilidade de Bruce Sterling, que faz previsões sobre o futuro da mesma maneira que escreve livros de ficção científica. A conferência tem mesmo vocação para antever tendências. O SXSW é conhecido por apresentar serviços, aplicativos, plataformas e idéias que vão estourar - vide o Twitter, que começou a trajetória de sucesso ao ganhar o SXSW Web Awards em 2007, na categoria Blog. No mundo do SXSW, convivem tanto os grandes players - Google, Microsoft, AOL - quanto as pequenas start ups que estão apontando caminhos e, muitas vezes, vão a Austin com a esperança de ser o 'novo' Twitter e atrair investidores e usuários.

É buscando esse tipo de visão de futuro que as empresas mandam seus representantes. "Eu trabalho para uma grande corporação, e é importante para nós prestar atenção nas tecnologias emergentes. É aqui que a próxima grande coisa vai surgir", afirma Simon Ruparelia, gerente de projetos da divisão de marketing da Univeler de Londres. Ele participa do SXSW pela segunda vez. Em 2009, teve que brigar para convencer a empresa a enviá-lo para Austin. "Eu levei tanta informação de volta para a empresa, que esse ano eles estavam ansiosos pela minha participação", diz Simon, que costumava ir a várias conferências de tecnologia, e agora só vai ao SXSW. Simon nem gosta de chamar o SXSW de conferência, porque na opinião dele, é mais um estilo de vida. "As pessoas vêm porque querem estar aqui, e não apenas porque a empresa mandou".

O SXSW Interactive acontece no enorme centro de convenções de Austin, e ocupa também salas em dois hotéis adjacentes. As atividades são organizadas em três frentes: o Trade Show, o Screenburn Arcade e os painéis, workshops, palestras e keynotes. O Trade Show apresenta as empresas em um formato de feira tradicional, com expositores ávidos para mostrar seus produtos com demonstrações e brindes. O Screenburn reúne os aficionados por games, que podem jogar de graça e participar de uma competição de design de jogos. E os debates são agrupados em temas que tratam não apenas de aspectos mercadológicos e técnicos, mas também cobrem as sub-culturas emergentes da web, no melhor estilo cauda longa. O tema "Love and Happiness", por exemplo, seria inusitado em uma conferência de tecnologia tradicional. No SXSW, não. Afinal, é preciso abrir espaço para conversar sobre assuntos como a influência das mídias sociais na vida sexual dos usuários, a vontade de pedir demissão e começar seu próprio negócio digital, o namoro pelo Twitter, dicas para freelancers que trabalham em casa, etc.  

Os palestrantes se misturam com os participantes, e as dezenas de festas, lounges patrocinados e quantidades generosas e gratuitas de Shiner, a boa cerveja local, ajudam a criar um clima de descontração que encoraja encontros, conversas com desconhecidos, circulação de idéias. No SXSW, diversão e aprendizado se misturam e combinam. "Estou impressionado com o nível do pessoal", diz Marcelo Tripoli, CEO da agência digital iThink, de São Paulo, que participa do evento pela primeira vez. "Ano passado fui a cinco eventos fora do Brasil, e o único lugar que tinha esse nível de palestrantes era Cannes. E aqui tem um clima de informalidade que Cannes não tem. Esse espírito é legal, os CEOs de empresas importantes sentam do teu lado pra comer um cachorro quente". Circulando nesse ambiente, milhares de pessoas interessadas em aprender e trocar informação, prestando muita atenção nas centenas de painéis, workshops e palestras, twittando muito, trocando cartões e fazendo contatos profissionais.

O poderoso wi-fi do evento ajuda a garantir a dimensão digital do SXSW em tempo real. O Twitter tem um papel importante, todos os painéis tinham suas hashtags anunciadas no telão e a movimentação de posts por vezes chegava a 'baleiar' o site. Tudo que é apresentado e discutido é imediatamente postado, blogado, retuitado. A audiência está sempre com seus instrumentos em punho - notebooks e smartphones. Segundo pesquisa realizada com os participantes do SXSW 2010, 66% se apavoram quando se vêem subitamente sem conexão com a internet. Para esses nerds de carteirinha, a Apple é a marca mais querida: 63% utilizam iPhone e 62% tem um Mac. E os conectados do SXSW são também um grupo orgulhoso de si mesmo: 83% afirmam que, em 2010, cool é ser identificado como geek.

 

Highlights imediatos do SXSW Interactive

  • Protótipos dos guris do Google. É pra aprender código, não irritar os desenvolvedores simulando coisas que não podem ser programadas. Não gaste seu tempo fazendo wireframe de alta fidelidade, vá do sketch no papel para um protótipo muito perto da coisa real (de preferência em HTML, com Java script, e print screens de telas de verdade – pode ser de outros sites, se você está começando do zero). Faça isso para vender sua idéia internamente e conseguir apoio para construir. Eles prototipam em Fireworks, que abre direto no browser. O webdesigner não deve apenas colorir o wireframe... (como já sabemos). Visual design, UX design, IA should be together.
  • A arte das interações sedutoras, painel do Stephen Anderson. Já iniciou o painel mostrando exemplos de coisas boas: iLike, Dopplr. Explicou porque são boas. Os motivos pelos quais nosso cérebro identifica coisas como boas experiências. No final deu de brinde uma edição preview dos cartões de Mental Notes que está lançando. A dica final: identificar experiências agradáveis (“that was fun!”). Pensar no que fez a experiência ser legal (qual dos “ativadores cerebrais” estava em ação). Utilizar as cartas para fazer o exercício. Mais aqui: http://www.getmentalnotes.com
  • Nina Hartley. Atriz pornô há 26 anos, fofa, articuladíssima, inteligente. Educadora sexual e social networker. Está lançando uma rede social dirigida à educação sexual, SexWise. Porque “sex should be fun!”. E ela quer ajudar as pessoas a terem diversão e felicidade  através do sexo, dos relacionamentos saudáveis, de um pensamento não preconceituoso e da curiosidade por si mesmo e pelos outros. Longa vida a Nina Hartley. 
  • Clay Shirky. Não prestei muita atenção, confesso. Mas gostei disso: “We are moving from a world where we can do big things for money and small things for love, to a world where we can do big things for Love”. I hope so. Esses dias eu tava pensando que havia desistido de fazer o bem pra ganhar dinheiros. Mas que talvez eu devesse ir fazer o bem mesmo que fosse para ganhar menos dinheiros. Porque afinal agora eu não faço o bem e nem faço tantos dinheiros. Mas vai ser melhor fazer o bem ganhando bem.
  • Estratégia de conteúdo com a Kristina Halvorson também estava muito legal. “Conteúdo tem que ser pensado do ponto de vista do ultimate goal do business e do que o usuário esta procurando”. Comprei o livro dela e vou estudar mais.
  • A danah boyd falou, falou, falou sobre privacidade, mostrou um site interessante - http://pleaserobme.com/ - eu escrevi bastante sobre ela para a materia da Folha – mas pessoalmente não me tocou.
  • Recriando seu próprio método de IA. “Um dos maiores problemas que UX designers tem é que não somos creative enough”. I can totally relate to that ;)
    Pesquisa é uma ferramenta, mas pesquisa sozinha não deve criar design. O que tem que ser: informed guesses e data-inspired design.
  • E um ótimo conselho de Lisa Kamm & Alex Cook, do Google (no painel Long distance UX): fazer frequentes “standup meetings”, de 15 minutos no máximo, com todo mundo (criaçnao, desenvolvedores etc). Meio como uma reunião de status, pra todo mundo saber o que todos andam fazendo, no que cada um esta trabalhando. Parecido com Scrum. “We really want to avoid the UX waterfall. Para isso, o ideal é estar todo mundo no mesma sala, mas isso nem sempre é possível”. Quando não é possível, utilizar a tecnologia e muita comunicação para minimizar a chance de desentendimento.

Vou quebrar tudo agora – ou, Yeah, you can call me revoltada, é um elogio

 

É sempre bom ouvir o Bruce Sterling. É dark, é irônico, é soturno, é necessário. Basicamente, o mundo tá queimando aí fora, as pessoas se matando, a calota derretendo, e a gente tá aqui fazendo networking e pensando em “monetizar”. E daqui a alguns anos a gente vai ter que ajudar a garotada a consertar o que a gente estragou. O que a gente ajudou a estragar, o que a gente observou estragar, de braços cruzados, while we were busy networking in technology conferences. E a gente vai achar um saco, vai se irritar, porque seremos uns velhos, mas vamos ajudar. Porque “it’s arrogant to give up. It’s arrogant to despair. We have come so far, we can do anything. If at least we were able to open source food and shelter, we could do anything on the internet”.

Yeah. Por isso que eu digo: “isso não é importante”. Isso = o que você faz o dia inteiro no seu trabalho na sua agencia digital. São só sites. Não (se) leve tão a sério.

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Mantendo todos os issos em perspectiva, o SXSW Interactive foi mais uma vez muito generoso para com a minha pessoa. Esse ano eu me atrapalhei, escolhi mal as palestras, fiquei dividida entre o que eu queria ver e o que seria bom para a matéria que eu estava fazendo. Errei muito, não consegui me concentrar de verdade, fiquei ansiosa correndo de uma sala para a outra. Mesmo assim, foi muito bom. Mesmo quando não caem fichas imediatamente, tenha certeza que seeds foram plantadas dentro de ti. I have good friends in Texas. Alguns não moram aqui, mas a gente se encontra no SXSW. Caso do Simon, que ficou também amigo do Mumu. Como eu estava falando com o Simon, as conseqüências do SXSW nem sempre são imediatas. A gente volta pra casa, contextualiza, pensa, rola uma química interna entre nosso universo imediato e o que ouvimos – e o resultado nos alimenta por meses.

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Sou inquieta, áspera e reclamona. Sou, na maioria das vezes, meio tristinha. Eu sou assim, apesar de também ser feliz (assim). Eu gosto de mim assim, apesar de me sentir quase sempre inadequada, mal-acabada (piada interna), insegura. Eu sou uma pessoa confusa e estou sempre questionando a mim mesma, o mundo em que eu vivo, o meu trabalho, minhas motivações, as coisas que faço, onde gasto meu tempo, onde gasto meu dinheiro, os processos, as pessoas com quem ando. Eu gosto assim, acho que isso é necessário. Não sou de ter certezas absolutas e nem de vestir camisetas de coisa nenhuma - ainda mais nessa vizinhança em que convivem os muito ricos e os muito pobres que é o mundo em que vivemos atualmente. Questionar é preciso.

Não gosto de mostrar minhas partes ásperas, inacabadas (como uma construção que ainda não foi terminada, parede sem reboco, fiação pra fora) – mas elas saltam de mim. Eu tenho que não apenas aceitar, mas também não reprimir, e até encorajar. Porque assim sou eu, essa sou eu, e as pessoas são pacotes, né? E principalmente com o mundo lá fora nos reprimindo tanto. Então, aqui, essa sou eu, reclamenta, áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha, como sabem os que me interessam. Não te interessa, unfollowtuesday-me. Fico possessa quando neguinho só quer saber de mim editada.  

Pronto, desabafei. Azar que é no blog profissional. (Outra divisão artificial que não me interessa conservar).

As pessoas e interações são mais importantes que processos e ferramentas

Tanto tempo sem postar que dá até frio na barriga!

Ando querendo mudar esse blog, acho que perdeu o foco e o assunto, sem falar do layout que já cansou e dos problemas de segurança, spam, pau na instalação do Drupal, bla bla bla.

Mas o fato é que ando muito calada (reprimida?) e preciso de um lugar para ventilar de vez em quando, e esse blog ainda é o que temos. Então nele vamos.

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O título desse post é um dos princípios do Scrum que aprendi no último sábado, no workshop com Rodrigo Yoshima. Scrum é um método ágil de gerenciamento de projetos, ou, no meu entendimento, é um processo de condução de projetos que não usa o modelo "cascata". O modelo cascata é aquele que todos conhecemos, no qual as fases do projeto são dependentes, se encadeiam e alimentam as fases seguintes. E cada um faz a sua parte e ninguém se mete na parte do outro e por isso precisa uma montanha de documentação pra que os outros entendam o que a gente fez, já que ninguém se fala muito.

Deu pra perceber que eu não ando muito contente com o modelo cascata. Por isso fui lá tentar aprender mais sobre Scrum, que faz anos ouço falar.

Muitas coisas são legais no Scrum, mas o que mais fez sentido pra mim foi a possibilidade de perceber cedo se o projeto vai dar problema. Em um projeto cascata, geralmente dá problema - mas só dá pra ver que vai dar problema lá no fim. Quando precisa entregar e não tá pronto. No Scrum, dá pra avaliar se vai dar problema já no primeiro sprint, geralmente na segunda semana de projeto - e tomar as devidas medidas.

Outra coisa bacana é que o backlog permite que se gerencie mudanças (de idéia do cliente e de escopo) com muito mais classe e sem causar grandes dores de cabeça.

E, é claro, a cereja do sundae é o Scrumaster, que tem como principal atribuição "remover impedimentos" de qualquer espécie, para que a equipe possa se concentrar no projeto e fazer o que tem que ser feito. Genial.

Muitas dúvidas persistem, principalmente onde encaixar a pesquisa, planejamento e criação no processo Scrum - já que para mim pareceu mais adequado ao desenvolvimento do que às fases anteriores que precisam estar em projetos do tipo os que eu faço. E ficou uma certeza que é um tanto pessimista: na minha opinião, dificilmente Scrum será adotado de maneira massiva pelas agências digitais brasileiras. Simplesmente porque exige muita maturidade das equipes e dos chefes, que precisam delegar responsabilidades e ter certeza de que a coisa vai andar sem que ninguém fique empurrando. Scrum é para gente (empresas, gerências, equipes, chefes, indivíduos) madura, e não para meninos que precisam de controle, time sheets, ordens.

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E vamos assim, por enquanto ainda aqui. Feliz 2010!

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